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segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

A IMPORTÂNCIA E EXTINÇÃO DAS RADIOS ROCK DE SP E RJ

pPor Cassiano Pereira- Xpread
Durante a época de ditadura no mandato dos presidente Arthur da Costa e Silva foi instituído o Ato Institucional Nº 5, que determinava censura total à imprensa e revogava as punições ao abuso de poder das autoridades policiais e militares. Nessa época Arthur da Costa e Silva articulou a fase decisiva da ditadura, cumprida pelo seu sucessor, Emílio Garrastazu Médici.
Uma das medidas foi o investimento da radio FM, uma faixa para difusão radiofônica que fizesse um contraponto a radio AM Amplitude Modulada considerada subversiva por seu governo. do rádio FM, que em regiões mais desenvolvidas (capitais do Sul e Sudeste) seguia o formato musical sisudo e tocando musak (a chamada música ambiente, orquestrada mas sem compromissos eruditos), música romântica e música clássica, algo como uma linhagem ortodoxa do "adulto contemporâneo" (a trinca Ray Conniff, Bee Gees e Filarmônica de Londres, só para citar três exemplos dessas tendências). Nas outras regiões, as FMs passavam clones de programação de rádio AM nos horários de pico e nas horas vagas tocavam música popular.
Em 1969, os generais aproveitaram o discreto surgimento das FMs para usá-las a favor do regime. o rádio AM, cuja prestigiada história não era bem vista pelos militares que impunham censura e repressão dos direitos humanos no Brasil. Passou a ditadura e a perseguição ao rádio AM continuou a mesma da fase repressiva. Mudaram as estratégias e o discurso. Rádio AM que tinha em sua programação artistas oriundos da “Jovem Guarda” deixou de ser considerado subversivo para ser considerado “brega” e deixou de ser reprimido para ser ignorado ou sucateado. Esses aspectos trouxeram ao radio AM o rotulo atual de “antiquado” , porem viram a possibilidade de sobreviência explorando o nicho do “popularesco”. A qualidade da transmissão e a linguagem tornaram-se então a marca da identidade da transmissão AM .Na verdade, rádio AM só tem som ruim em duas condições: primeira, quando os equipamentos de som ou radiotransmissores não conseguem uma sintonia decente do rádio AM devido a constantes chiados, "pipocamento" e péssima recepção (os aparelhos de som atuais são terríveis nesse sentido); segunda, quando as emissoras AM possuem baixa potência, muitas por próprio desleixo de seus donos, ou simplesmente por opção de manter essas características como identidade, conforme apuramos em entrevista com José Roberto Gama diretor artístico da radio Capital SP AM.
Ao invés de dar ênfase à suposta obsolescência das AMs, usou-se o discurso da “versatilidade” das FMs. Para entender esse processo, A ditadura quis acabar com a inteligência humanista das emissoras AM, e para isso partiu para duas frentes. Primeiro, promoveu uma imagem “brega” do rádio AM e depois permitiu que as FMs de regiões menos evoluídas do Brasil reproduzissem o perfil de programação AM. Enquanto o rádio AM se estagnava tecnologicamente e, a partir dos anos 80, passava a sofrer do “patrulhamento” ideológico de jovens rebeldes sem causa, as FMs iniciaram uma escalada cujo objetivo não era propriamente a popularização, mas a hegemonia, em especial por parte de algumas emissoras poderosas, atitude típica do neoliberalismo. ". Apesar disso, sua popularidade e credibilidade continuavam intactas e a juventude ainda ouvia as emissoras AM.
O rádio FM ganhava força na segunda metade dos anos 70. Havia o perfil "rádio rock", de caráter experimental, feito pelas rádios Eldorado FM (vulgo Eldo Pop, RJ), e Excelsior FM (SP), e o perfil "pop eclético", predominantemente festivo, lançado pela Rádio Cidade (RJ), em 1977 (infelizmente a Rádio Cidade hoje renega este perfil, através de um arremedo de milésima categoria de rádio de rock). Entre os anos 60 e 70, uma emissora AM já abraçava o perfil rock, a Federal AM, do grupo de Adolpho
O perfil popularesco, influenciado pelos programas de auditório (Chacrinha, Edson "Bolinha" Curi, Raul Gil, Silvio Santos), passava a ser formatado em FM, e uma das primeiras emissoras foi a 98 FM (RJ), que passou a ocupar o mesmo espaço da agonizante Eldo Pop. Por sua vez a então rádio de rock Excelsior FM, conhecida como "A Máquina do Som",  passou por diversas mudanças entre o pop convencional e o adulto contemporâneo, tendo se chamado Globo FM e Rádio X FM, até resultar hoje na CBN 90.5 de São Paulo.
Na primeira metade dos anos 80 o rádio AM continua com popularidade similar a dos anos 70. Mas o rádio FM avança em popularidade crescente, sobretudo entre os jovens. A segmentação das FMs em estilos musicais diferentes começa a ser uma realidade, com rádios de adulto contemporâneo de diversos níveis, como o pop (que inclui música romântica e disco music) e o sofisticado (somente jazz, blues, soft rock e MPB), além da popularização das rádios de rock a partir da Fluminense FM (Niterói) e 97 FM (ABC paulista), entre outras.
Em 1990, entra no ar a Rede CBN de rádio, então restrita ao rádio AM. Duas afiliadas iniciam a rede, uma no Rio de Janeiro, outra em São Paulo. Em 1994 a CBN seria uma das pioneiras, com dupla transmissão em AM e FM em Brasília. Em 2000, a CBN AM sai do ar - apesar dela ter tido muito mais audiência que sua "clone" em FM - , entrando no seu lugar a Jovem Pan 1 AM, que também tem "clone" em FM na capital do país.
Nos anos 90, as FMs com roupagem de AM acabaram viciando os ouvidos do público, na medida que ganhou, ao mesmo tempo, a tolerância ou mesmo a cumplicidade da mídia. Rádios como Transamérica e Band criaram programas esportivos que, se não resultaram em sucesso, pelo menos agradaram as elites a quem interessa, de fato, à hegemonia das FMs sobre as AMs: políticos de direita, latifundiários, contraventores, dirigentes esportivos e empresários e capitalistas radicais.
O processo das FMs com roupagem de AM, que já era hype em regiões interioranas ou em capitais com ranço provinciano, como Salvador, São Luís e Goiânia, encontrou terreno favorável no cenário político dos anos 90, apesar dos diretores dessas FMs jurarem insistentemente que não se envolvem em quaisquer conchavos políticos.
 
As emissoras de rádio AM começam a ser compradas por seitas religiosas das mais diversas, desde a Igreja Católica e a Igreja Universal do Reino de Deus até a mais obscura seita protestante. Aqui surge uma polêmica: oficialmente, diz-se que as seitas voluntariamente se dirigiram aos donos das AMs para comprar tais emissoras, mas há indícios, em muitos casos, de que os próprios donos quiseram se livrar das AMs e trabalhar só com FM, que tem baixo custo e alta incidência de "jabá" (esquema de propinas que favorece o superfaturamento das FMs), mesmo para a programação jornalística, que certos ouvintes de rádio julgam ser totalmente incorruptível.
Aqui a ingenuidade impera. Como essas pessoas dão confiabilidade cega ao jornalismo dessas FMs, mais do que ao jornalismo televisivo, que lida com imagens? Em rádio, até um long play de efeitos sonoros pode forjar um tiroteio entre guerrilhas do Oriente Médio, ou um imitador bastante habilidoso pode se passar por um político de grande projeção. Claro que isso não ocorre, mas é possível de ocorrer. Mas edições mais sutis são feitas pelo rádio, como a construção de um discurso jornalístico que coloque como "vilões" os manifestantes que, diante da Bolsa de Valores do Rio de Janeiro, protestam contra a privatização de uma companhia estatal. Em TV também existe edição, "maquiagem" jornalística, mas um jornalismo que se vê é bem mais verossímil do que um jornalismo que só se ouve.
A atitude romântica de determinados setores da intelectualidade reclamava o fim do "vitrolão" das FMs. Eles achavam que, com noticiário e esportes, acabaria a música ruim das FMs. Mas, na prática, ocorreu exatamente o contrário: como os jabazeiros da música não queriam perder dinheiro, eles arrumaram um jeito para transferir seus produtos para rádios mais segmentadas.
Assim, as FMs classe A passaram a tocar até o mais brega da música norte-americana, as FMs de rock, além de tocarem também coisas mais melosas, exportavam locutores que não encontravam vaga nas FMs de popularesco e pop internacional, e por aí vai.
Pior que isso é a "invasão AM" nas FMs de todo o país, a ponto de, ironicamente, favorecer até mesmo o programa governista "A Voz do Brasil", que, antes boicotado, passava a ser ouvido por viciados em FM.
Isso é irônico. Em 1993, surgiu um movimento de algumas emissoras de rádio do Brasil reivindicando o fim da obrigatoriedade da retransmissão de "A Voz do Brasil", programa governista produzido pela Radiobrás, dividido em meia hora de noticiário do Poder Executivo (Governo Federal) e outra meia do Poder Judiciário (Congresso Nacional). Estranhamente, FMs com roupagem de AM como Band FM, estavam entre os assinantes. Depois se descobriu que o movimento não era exatamente contra o programa governista, mas sim a favor da flexibilidade de horário do programa, para atender interesses comerciais das emissoras de rádio. Certas rádios transmitem o programa fora do horário oficial (19 - 20 h), transmitindo entre 21 e 22 horas ou entre 23 horas e meia-noite. Uma coisa é certa: se "A Voz do Brasil" fosse de manhã, nem esse movimento haveria, pois os donos de muitas rádios já inserem noticiário político no horário entre seis e oito da manhã.
As FMs com roupagem de AM passaram a adotar uma postura politicamente correta, contratando profissionais autênticos de AM ou mesmo retransmitindo alguns programas ou toda a programação de AM. Aqui entram os "papagaios eletrônicos".
Em 2000, o rádio AM sofre o auge da discriminação. Mesmo aqueles que regularmente ouviam AM migraram para as FMs. Até a revista esportiva Placar, do conservador grupo Abril, anunciou a "morte do rádio AM para as transmissões esportivas". Vale destacar que futebol em FM rende muito mais jabá do que até mesmo a música mais comercial, que em termos de propina custa muito pouco para a sede de lucro dos donos, quase uma gorjetinha.
Há indícios de que o mesmo esquema dos dirigentes esportivos investigado recentemente pela CPI do futebol tenha investido uma fortuna para a transferência de locutores esportivos influentes, em todo o país, para as emissoras FM, que coincidiu com mecanismos tendenciosos do futebol como a elevação imediata, sem jogos, para o grupo de elite do Brasileirão (rebatizado Taça João Havelange), de times de segunda e terceira divisões, e o esticamento do calendário do campeonato brasileiro, cuja partida final ocorreu no penúltimo dia de 2000 (em outros anos o Brasileirão terminava no final de novembro ou início de dezembro).
Um marketing ostensivo e similar no rádio paulista se observa nos casos dos programas "K Sports Já" (Nova FM), do "Transamérica Esporte Clube" da Transamérica, do "Estádio 97" (Energia 97 FM) e "Na geral" (Brasil 2000).
Em 2001 Uma nova tecnologia pode surgir. Do contrário que pensam os poderosos, não é a tecnologia contra o rádio AM, mas a favor dele. É a tecnologia digital, que dará um som mais potente à Amplitude Modulada. Chiados e "pipocamento" serão eliminados e o som será tão bom quanto o FM. É prevista uma revolução radiofônica que pode reverter a migração da programação AM para as FMs, causando o processo inverso, e pode até atrair interesse de quem se recusava radicalmente a investir no rádio AM, como no caso da empresa Transamérica. Será um capítulo feliz para um espaço radiofônico popular e histórico que, em plenos anos 2000, chegou perto do fim por causa da discriminação extrema até de seus profissionais. Com o AM digital, um novo fôlego para o AM será enfim dado. Prova disso é a radio Tupi uma das primeiras rádios no ranking de audiência, porem com a linguagem da radio Am – adaptada para a FM.
 



 

RJ 1982-1985 - INÍCIO E AUGE
 vulgo "Maldita", foi uma das mais importantes rádios alternativas do país.
Nascida em 82, com sede em Niterói (RJ), a programação rock da Fluminense teve origem em setembro de 1981, quando Luiz Antônio Mello e Samuel Wainer Filho (falecido em 1984, o jovem, apelidado de "Samuca", era filho de Danuza Leão com o célebre fundador do jornal Ùltima Hora de quem herdou o nome) foram propor ao Grupo Fluminense de Comunicação a transmissão de um programa, intitulado "Rock Alive".
A Fluminense FM teve três fases principais. A primeira delas é a fase promissora, que durou de março de 1982 a abril de 1985, mostrando uma rádio alternativa em ascensão. Com um repertório musical vasto, que hoje está mais próximo do que o mercado denomina como "rock clássico", a Fluminense FM centralizava suas atenções a grupos de hard rock e progressivo, mais as fusões de jazz e reggae com rock e o chamado rock básico (fortemente inspirado no blues), sobretudo o chamado "rock sulista" de Creedence Clearwater Revival, Lynyrd Skynyrd e outros, que eram manjados para os produtores da rádio, mas eram novidade para um público até então forçado a encarar os mesmos grandes sucessos das paradas. O punk rock entrou com poucas inserções na programação, até porque o movimento só começou a ser assimilado no Brasil a partir dos anos 80, com efeitos visíveis na segunda metade.
Com uma programação que se abria segura e gradualmente às novidades musicais, sem deixar os grandes clássicos - não apenas os "grandes sucessos" do rock, mas também músicas mais "obscuras" - , a Fluminense FM crescia em audiência e em repercussão, com elogios por parte de intelectuais respeitados e da imprensa organizada. Até mesmo o jornalista Eliakim Araújo deu um apoio especial à Fluminense FM, ajudando no treinamento das locutoras.
Em seus primeiros três anos de ousadia, seguidos ainda de outros quatro não tão geniais mas ainda fartos de cultura alternativa, a rádio niteroiense que marcou seu sinal nos 94,9 mhz fez sua fama e glória, sem ter dinheiro para fazer publicidade nem para criar uma rede que ficou só nos sonhos do seu idealizador, Luiz Antônio Mello, e na imaginação de milhares de alternativos.
Ainda assim, todo o rock brasileiro dos anos 80 e início dos anos 90 deve sua trajetória à Fluminense FM, que, além de divulgar as novas bandas, informava sobre o que havia de novo e de antigo no rock nacional e internacional, sem medo de fugir das paradas de sucesso, mesmo aquelas "roqueiras" e sem qualquer constrangimento de colocar na programação normal grupos que estão longe de serem lançados no mercado brasileiro.
Um dos programas de maior sucesso da época era o "Rock Alive", apresentado por Maurício Valladares, também conhecido como Mau Val, amigo de longa data de Luiz Antônio Mello e outro mentor da Fluminense FM. Valladares é jornalista e fotógrafo, e foi uma espécie de "caça-talentos" da Flu FM, no sentido em que, graças a ele, conjuntos como Paralamas do Sucesso, Capital Inicial e Legião Urbana ganharam divulgação na emissora.
Aliás, o rock nacional, juntamente com os "malditos" da MPB, tiveram seu espaço próprio em quase toda semana, das 20 às 21 horas. Era o "Espaço Aberto", programa que foi feito nesse horário para obedecer as regras do Dentel (Departamento Nacional de Telecomunicações, atual Anatel - Agência Nacional de Telecomunicações), que naquela época obrigava as emissoras a preencher pelo menos 50% da programação radiofônica com música brasileira. O programa foi também outra alfândega para fitas-demo de bandas novas, além de ser uma oportunidade de ouvir entrevistas com artistas brasileiros em edições especiais do "Espaço Aberto". O chamado "lado B" (canções obscuras ou menos conhecidas) do rock e da MPB alternativa também tinham ampla divulgação no programa.
 
Infelizmente a partir de março de 1990 a Fluminense FM já não dava sequer os mínimos sinais de criatividade, aderindo ao pop e ensaiando uma volta debilitada ao rock. A equipe que entrou em 1991 não teve a competência adequada e a rádio perdeu audiência, entrando no seu lugar a Jovem Pan 2, até meados de 2000, quando entrou a Jovem Rio, um lamentável reduto para DJs frustrados usarem a falência de uma rádio alternativa para se passarem por "heróis", mesmo empurrando o que existe de mais fútil na música comercial dançante.
Nos tempos em que a Fluminense FM esteve fora do ar, o público alternativo teve que enfrentar a realidade de uma outra rádio que passou a assumir o rótulo de "rádio rock". mesmo tendo sido . A Rádio Cidade, 102,9 mhz, uma antiga FM de dance music, se converteu para o rock sem mudar de equipe nem adequar todo seu perfil, estando muito longe de ser a nova "Maldita". E para quem acusava a Fluminense FM de ter sido ruim em 1994, mal podia esperar o estrelismo, a arrogância e o pedantismo dos locutores da Rádio Cidade, gente cujo envolvimento com rock se mede com os cartões de ponto do horário de trabalho.
Criamos este site e desenvolvemos a história da rádio niteroiense que agitou a cultura alternativa em todo o país, chamando atenção até de gente de todo o mundo.
Entre os anos de 1984 e 1989, o rádio carioca passava por uma ótima fase que, se não era 100%, era acima da média. A segmentação era seguida com a mínima decência possível, nenhuma FM parasitava o perfil do rádio AM, havia rádios de rock com linguagem realmente rock e repertório abrangente, rádios light com repertório light, e rádios pop que não conseguiam convencer com suas posturas pseudo-alternativas, o que lhes impedia de avançar na postura pseudo-roqueira. Ah, e o rádio AM tinha sua audiência consolidada, sua programação diversificada que praticamente não incluía pregações evangélicas de baixo escalão.
O rádio AM, em 1985, sofre um duro golpe, tanto pelo esnobismo de adolescentes de classe média, que tinham preconceito a coisas antigas, quanto pela politicagem, através das concessões de rádio e TV promovidas pelo governo de José Sarney a todos aqueles que, políticos ou não, apoiavam o esquema de politicagem da direita brasileira. Assim, muitos donos de rádio FM, que não tinham (nem têm) competência para controlar rádio, acabaram por fazer expandir os arremedos de rádio AM nas FMs, acostumando mal a audiência a ouvir "rádio AM" diluído e em som de FM. Começaram as primeiras queixas sobre o som do rádio AM, de que seu som é ruim pra baixo.
A Rádio Jornal do Brasil AM, ou apenas JB AM, do Rio de Janeiro, com sua programação dedicada à música adulta sofisticada e ao jornalismo, chegando a ter um programa de jazz apresentado pelo humorista (e conhecedor de música) Jô Soares, chegou a ter qualidade de estéreo, com sonoridade dolby e grande potência.






 


A RADIO ROCK QUE SEMPRE FOI POP
89, os 89,1 MHz (ou canal 206, segundo a Anatel). A antecessora da "Rádio Rock" entrou no ar em 12 de outubro de 1984, transmitindo da Praça Osvaldo Cruz - no início da Avenida Paulista, apesar de sua concessão pertencer ao município de Osasco.
Seu primeiro diretor artisítico foi Luis Fernando Maglioca, radialista veterano e ex - diretor das Rádios Excelsior AM e FM ao longo dos anos 70. A 89 ganhou esse nome graças a um acordo operacional entre a proprietária da estação e o sistema JB de rádio - que também administrava a Rádio Cidade (hoje, Rádio Sucesso) de São Paulo e as demais emissoras com a marca Rádio Cidade espalhadas pelo país. Por esse acordo a JB passou a tomar conta da programação, comercialização e operação da rádio. Na época, o pop rock estava na moda e emissoras com esse perfil começaram a agradar o parte público jovem que não tinha muita opção de programação.
Em pouco mais de dois meses a emissora caiu no gosto do público que curtia pop rock, deixando para trás a FM 97, de Santo André, até então a única emissora de São Paulo com uma programação voltada para o gênero. A 89 contou em seus primeiros meses com a participação de radialistas como Kid Vinil, Marcelo Moraes, Everson Cândido (que anos depois virou seus diretor), Luis Augusto Alper, Selma Boiron (pioneira da Fluminense FM), Nando Luis e o auxílio luxuoso de Rita Lee. A fórmula de programação da 89 seguia o estilo da Rádio Cidade FM do Rio, que, lá, brigava pela audiência jovem com a Rádio 98 FM (Sistema Globo de Rádio) e a lendária Fluminense FM. 
Em menos de um ano, a 89 já havia se consagrado como a "Rádio Rock de São Paulo", por ter uma linguagem mais próxima das FMs tipo "hit parade" de então, muito embora tocasse pop rock. A sua localização privilegiada e a potência de seus transmissores fizeram com que seu sinal saísse dos limites da Grande São Paulo, enquanto que o da sua concorrente direta, a 97, mal saía da região do ABC paulista e arredores.




 

COLLEGE RADIO
Rádio Brasil 2000, em seus primeiros tempos, tinha programação voltada para a música romântica internacional e clássicos da MPB. Até o final dos anos 80 manteve este estilo e tinha baixa audiência devido ao seu pequeno transmissor e de baixa potência. Nos anos 90, o professor Roberto Miller Maia , especilista em música e comunicação, assumiu a direção da rádio e criou um projeto pioneiro no Brasil, semelhante ao das "college radios" americanas, voltada para a música produzida pelo público jovem e universitário. Um projeto pioneiro ambicioso e único que marcou uma revolução no rádio paulistano .
Conforme conseguimos apurar em entrevista por telefone Roberto Miller Maia (que hoje na América AM. Com o programa "Memória Pop"). o conceito estabelecido para a radio na época viabilizou entre outras coisas a representação nacional de selos de gravadoras e bandas considerados “indie”, alem de trazer para a região sudeste o movimento Manguebit. O resultado era uma radio agradável com linguagem diferenciada, programação de bandas com expressões e valores diferentes de tudo o que existia ate então, e como ele mesmo disse “um oásis no meio do dial”.
Porem a radio tinha uma péssima transmissão, seu transmissor era de 5kw e sua antena ficava cercada pelos prédios da Av Heitor Penteado. Por volta de 1995, a emisora ganha novos transmissores e aumenta sua potência e sinal. A emissora começa a subir de audiência, além de conquistar um público cativo que começa ouvir uma grade musical diferenciada, que inclui programas especiais de reggae, ska, blues e classic rock, indie rock. Ao lado da Transamérica, a Brasil 2000 inaugura no FM paulistano uma série de programas em que novos talentos roqueiros tocam suas músicas ao vivo no estúdio.
Procurando se manter atualizado no universo da música pop, o jornalismo da rádio procura enfocar as novas tendências da cultura jovem em todo mundo, dando a Brasil 2000 mais credibilidade junto a seu público. Nesta época, a busca incessante por novidades, a incansável batalha de mostrar as músicas novas antes da concorrência e a livre participação dos ouvintes na programação musical aumentam a publicação entre os produtores e os ouvintes.
A virada do milênio marca a trágica( para o meio radiofônico e para criatividade em geral) saída de Miller Maia e a entrada de Lélio Teixeira (ex- Energia 97) no comando da rádio. A troca é mal vista pelos ouvintes e pelo mercado porque a audiência temia que Lélio transformasse a emissora numa rádio "pop demais", como fizera com a 97. A troca não foi necessariamente um desastre, no início. O novo diretor procurou manter a grade de seu antecessor ( porem sem conhecer nada do assunto o que descaracterizou a alma da rádio), apesar de mexer na "plástica" da rádio tornando-a mais parecida com a concorrência pop e colocando " estranhamente "nesse meio um programa próprio sobre futebol que nada tem a ver com o resto da programação.
Para reforçar a programação e supri a lacuna do genial Maia, conhecido como Homem Enciclopédia, ele chamou Kid Vinil, Leopoldo Rey e Gastão Moreira - três dos mais respeitados jornalistas e DJs do universo roqueiro de S. Paulo - para participar ao longo da programação com pequenos programas de 5 minutos. "Se tivesse estes 3 no meu time eu daria 2 horas para cada um, não 5 minutinhos de nada", alfineta um concorrente.E mesmo assim não conseguiu "convecer" os antigo ouvintes, que sempre acaharm algo de podre no reino da Brasil 2000...








 

97,7 FM - Bom e velho Rock

A FM 97 surgiu em outubro de 1983, com uma programação roqueira e alternativa. Foi a pioneira em São Paulo (seguindo os passos da Fluminesne FM, do Rio), Tinham muitas vinhetas bastante criativas porem sua transmissão tinha pouca potência, seus estúdios ficavam em Santo André , mas tinham um público seleto e fiel.o que não a impediu de ficar conhecida por todo estado mesmo em lugares que não haviam possibilidades de captação de seu sinal. A radio 97,7 FM de São Paulo teve uma história de glórias para a música nacional, divulgando o rock e também as bandas nacionais. A rádio principalmente na região do ABC paulista -sua primeira sede e grande reduto do movimento punk e suas subsegmentações- foi referência para outras emissoras; e foi a primeira em São Paulo a ousar trabalhar exclusivamente com rock e para o rock. Haviam programas que atendiam a todos os segmentos do rock; de programas de rock a billy a programas dedicados exclusivamente ao Heavy Metal, como o caso do programa Backstage que surgiu na radio em 1988 no ar ainda ate hoje. A programação seguia os lendários tempos da radio Fluminense principalmente no que remete a ruptura com o pop convencional, o que atraiu respeito de músicos renomados como foi o caso do internacionalmente conhecido Sepultura, banda mineira que apresentava em REFUSE RESIST um de seus hits na mtv, mostrava o vocalista Max Cavaleira com uma camiseta fazendo lob à radio do ABC.
. Pelos microfones da emissora, passaram: Ciro Botino, Celso Miranda, Jota Erre, Kid Vinil, Leopoldo Rey, Morcegão, Rose, Tatola, Valdir Montanari, Vitão Bonesso, entre outros.
No final dos anos 80 destacaram-se os seguintes programas: Patrulha Noturna, Dobradinha 97, Horário Gratuito, Surf Express, Anti–Kaos, Sinergia, Reinação, Rockstroth, Concerto de sabádo ao meio-dia, Over Shock, MotoSport e Scrach.

Ironicamente, a rádio 97 iniciou o ano de 97, com uma brusca transformação. Quem sintonizava os "97,7 mhz" do rádio, escutava uma rádio dance.







livro A ONDA MALDITA - LUIZ ANTÔNIO MELLO editora xamã

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